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Archive for Novembro 2011

      «I know not what tomorrow will bring.»

      Nota escrita, em inglês, por Fernando Pessoa no dia anterior à sua morte (Tradução: “Não sei o que o futuro me reserva ou o que o amanhã me trará.”)

      Foi num dia assim, como o de hoje, corria o ano de 1935 (há 77 anos) que morria aquele que é considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa.

      Fernando Pessoa (13-06-1888 – 30-11-1935)

      A revista “Rolling Stone”, acabada de publicar, nomeia Jimi Hendrix como o melhor guitarrista da história.

      Jimi Hendrix (1942-1970) foi selecionado de uma lista cheia de grandes nomes do “rock ‘n’ roll”. N alista seguem-se nomes como Eric Clapton, Jimmy Page e Keith Richards.

      «Jimi Hendrix preenche os requisitos daquilo que achamos que uma estrela rock deve ser: manipula a guitarra e domina tanto o estúdio como o palco», disse o Rase Against The Machine Tom Morello, apontando “Purple Haze” e “The Star-Spangled Banner” como as suas obras-primas.

      Abaixo podes ver e ouvir uma dessas obras primas no vídeo com a interpretação ao vivo de “Purple Haze”.

      Do painel do júri faziam parte vários “especialistas” de música, onde se destacam Lenny Kravitz, Eddie Van Halen, Brian May, que se juntaram a um leque de escritores e editores especialistas da própria revista “Rolling Stone”.

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      No dia de ontem (27 de novembro de 2011), a UNESCO (ONU) declarou o Fado como sendo uma canção que, embora tipicamente portuguesa, deve ser considerada Património Imaterial da Humanidade.

      Este reconhecimento significa que a Língua Portuguesa é responsável por uma sua produção com valor mundial e que deve ser preservada por ser uma mais valia para a Humanidade.

      A palavra latina “fatum” significa “destino” e é desta que derivou a palavra “fado” na língua portuguesa, significando esta palavra nos nossos dias também “destino” ou “sina” mas um tipo de destino de certa forma sofrido como a canção com a qual normalmente se identifica e assim é conhecida a expressão.

      Enquanto tipo de canção, existem várias explicações para a origem do fado. Uma explicação popular remete a origem do fado para os cânticos dos Mouros (árabes), que permaneceram no bairro da Mouraria, na cidade de Lisboa, após a reconquista Cristã. A dolência e a melancolia, tão comuns no Fado, teriam sido herdadas daqueles cantos. No entanto, tal explicação é ingénua de uma perspectiva etnomusicológica. Não existem registos do fado até ao início do século XIX, nem era conhecido no Algarve, último reduto dos árabes em Portugal, nem na Andaluzia onde os árabes permaneceram até aos finais do século XV.

      Numa outra teoria, a origem do fado parece despontar da imensa popularidade nos séculos XVIII e XIX da Modinha, e da sua síntese popular com outros géneros afins, como o Lundu, no então rico caldo de culturas presentes em Lisboa, tendo como resultado a extraordinária canção urbana conhecida como “fado”.

      No entanto, o fado só passou a ser conhecido depois de 1840, nas ruas de Lisboa. Nessa época só o fado do marinheiro era conhecido, e era, tal como as cantigas de levantar ferro as cantigas das fainas, ou a cantiga do degredado, cantado pelos marinheiros na proa do navio.

      O fado mais antigo é o referido fado do marinheiro, e é este fado que vai se tornar o modelo de todos os outros géneros de fado que mais tarde surgiriam como o fado corrido que surgiu a seguir e depois deste o fado da cotovia. E com o fado surgiram os fadistas, com os seus modos característicos de se vestirem, as suas atitudes não convencionais, desafiadoras por vezes.

      Na primeira metade do século XX, já em Portugal, o fado foi adquirindo grande riqueza melódica e complexidade rítmica, tornando-se mais literário e mais artístico. Os versos populares são substituídos por versos elaborados e começam a ouvir-se as décimas, as quintilhas, as sextilhas, os alexandrinos e os decassílabos.

      Durante as décadas de 30 e 40 do passado século, o cinema, o teatro e a rádio vão projetar esta canção para o grande público, tornando-a de alguma forma mais comercial. A figura do fadista nasce como artista. Esta foi a época de ouro do fado onde os tocadores, cantadores saem das vielas e recantos escondidos para brilharem nos palcos do teatro, nas luzes do cinema, para serem ouvidos na rádio ou em discos. Surgem então as Casas de Fado e com elas o lançamento do artista de fado profissional. Para se poder cantar nestas Casas era necessário carteira profissional e um repertório visado pela Comissão de Censura, bem como, um estilo próprio e boa aparência. As casas proporcionavam também um ambiente de convívio e o aparecimento de letristas, compositores e intérpretes.

      Já em meados do século XX o fado iniciou a sua conquista pelo mundo, tornando-se muito famoso também fora de Portugal.

      Os artistas que cantam o fado trajavam de negro. É no silêncio da noite, com o mistério que a envolve, que se deve ouvir, com uma “alma que sabe escutar”, esta canção, que nos fala de sentimentos profundos da alma portuguesa. É este o fado que faz chorar as guitarras…

      O fadista canta o sofrimento, a saudade de tempos passados, a saudade de um amor perdido, a tragédia, a desgraça, a sina e o destino, a dor, amor e ciúme, a noite, as sombras, os amores, a cidade, as misérias da vida, critica a sociedade…

      Do Fado conhecem-se hoje diversas distintas categorias e são elas:

      O Fado Alcântara, Fado Aristocrata, Fado Bailado, Fado Batê, Fado-canção, Fado Castiço, Fado tradicional dos bairros típicos de Lisboa, Fado Corrido, Fado experimental, Fado do Milénio, Fado Em Concerto, Fado Lopes, Fado Marcha Alfredo Marceneiro, Fado da Meia-noite, Fado Menor, Fado Mouraria, Fado Pintadinho, Fado Tango, Fado Tamanquinhas, Fado Vadio, Fado não-profissional, Rapsódia de fados e o Fado Marialva.

      Em baixo podes ouvir um fado há muito cantado por Alfredo Marceneiro e depois um fado mais recente, cantado por Mariza.

      «É meu e vosso este fado
      Destino que nos amarra
      Por mais que seja negado
      Às cordas de uma guitarra

      Sempre que se ouve o gemido
      De uma guitarra a cantar
      Fica-se logo perdido
      Com vontade de chorar

      Ó gente da minha terra
      Agora é que eu percebi
      Esta Tristeza que trago
      Foi de vós que recebi»

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      «A nossa verdadeira nacionalidade é a humanidade. »

      H. G. Wells
      Escritor inglês (1866-1946)

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      O veículo todo o terreno “Curiosity” já está preparado para cumprir a missão para a qual foi construído: explorar Marte e prevê-se o seu envio já hoje sábado (26 de novembro), podendo, no entanto, a data estender-se até ao dia 18 de dezembro.

      O veículo vai partir num foguetão Atlas V, da base espacial do Cabo Canaveral, na Florida, EUA e vai percorrer 570 milhões de quilómetros até chegar a Marte, o que se prevê ocorra em Agosto de 2012. Esta missão chama-se “Mars Science Laboratory”.

      Com quase 900 Kg de peso, 3 metros de comprimento e mais de 2 metros de altura, o “Curiosity” é o maior veículo de superfície alguma vez desenhado para o solo de Marte.

      O destino específico da Curiosity é a cratera Gale, perto do equador de Marte. Este local é importante para a investigação porque a presença de argilas e as características geológicas indicam a presença de água.

      O objectivo do atual programa de exploração será determinar se terá existido ou poderá existir em Marte alguma forma de vida. No entanto, o Curiosity não está preparado para identificar formas microbianas que existam hoje. A missão deste laboratório sobre rodas é recolher dados para averiguar se o planeta terá tido condições de habitabilidade.

      O Curiosity leva a bordo dez instrumentos científicos, câmaras de alta definição, laser para análises a rochas, sensor de partículas de origem solar de alta energia, um espectroscópio de raio-X para determinar a composição das amostras geológicas e três recipientes de análises. Tem também um perfurador que fará buracos até cinco centímetros para recolher amostras que não estejam expostas. Outro dispositivo, preparado pela Agência Espacial Russa Roscosmos pode disparar neutrões até meio metro abaixo do solo para detetar a presença de hidrogénio.

      Uma estação meteorológica vai medir a velocidade e a direção do vento, a pressão atmosférica, a temperatura e a radiação ultravioleta.

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      «Hoje, o cidadão europeu vive refém (mas não está sozinho nessa condição) de uma quase-Idade Média: pairam sobre ele as trevas densas de um futuro incerto ao mesmo tempo que aceita passivo a imposição de uma escolástica arquitetada por governantes medíocres e coadjuvada por um séquito de académicos e de “opinion makers” adestrados, unidos no esforço conjunto de legitimação de um novo paradigma de governação: a Governação Reativa.

      A escolástica desta governação reativa é perigosa, na exata medida em que consegue conciliar a tacanhez das respostas governativas com a magnitude do futuro que nos espera, através do argumento falacioso de que é esse tipo de governação que pode antecipar e prevenir os males do futuro. Desta perversa dialéctica, resulta o estranho feito daquilo que é tacanho e reativo surgir afinal como arauto de visão.

      Do mesmo modo, quem ousa contestar, surge agora como egoísta (anti-patriótico, incapaz de solidariedade geracional; anti-europeu, anti-comunidade, enfim), inculto (desconhecedor da nova linguagem aristotélica de descodificação do universo: a economia) e, pasme-se, retrógrado (agarrado a ideários do passado de uma esquerda social ruinosa).

      A greve, por exemplo, direito político tradutor da democratização da própria democracia pela sua abertura à voz dos trabalhadores, emerge hoje aos olhos do cidadão incauto mas que se esforça por parecer sério, já não como símbolo de progresso democrático, mas como a última arma de velhos do Restelo agarrados ao seu “status” de conforto. De repente, fazer greve é uma vergonha, é coisa de pseudo-indignados com contas pagas pelos pais, de gente instrumentalizada por sindicatos e partidos de esquerda radical.

      O que outrora era ativo, tornou-se reativo neste discurso político de inversões e perversões da linguagem democrática. Na mesma linha, também a legitimidade da ação pública já não deriva do político mas do económico, ou seja, já não emana da vontade expressa dos cidadãos, mas de opiniões especulativas e subjectivas dos agentes de mercado. Veja-se o caso de Espanha: a legitimidade do governo de Mariano Rajoy está como que em suspenso, esperando a chancela, o aval final, dos mercados. A vontade popular está assim reduzida ao estatuto da menoridade.

      Igualmente, o debate, exercício nobre da vivência democrática, surge transfigurado, ora confundindo-se com o simples somatório de múltiplas opiniões individuais de “opinion-makers” que se replicam e repetem até à náusea nos media, ora confundindo-se com a ideia da discussão destrutiva, geradora apenas de impasses bloqueadores do suposto caminho certo a ser ordeiramente percorrido.

      Também os direitos sociais acusam o peso desta inversão da linguagem democrática. De árduas conquistas de gerações e gerações de cidadãos, aparecem como que a alcova de todas as preguiças, de todas as mordomias impunes de um funcionalismo público que, para todos os efeitos, passa a ser sinónimo apenas de ineficiência, incompetência e inutilidade.

      Eis-nos assim chegados ao estádio supremo do triunfo do poder suave do capitalismo. De facto, António Gramsci poderia hoje ver como estamos coletivamente empenhados na salvação do capitalismo por não sabermos já viver sem o conforto e bem-estar que este também nos proporciona. Lutamos assim pela manutenção do seu lado encantador, nem que isso implique acomodar-nos a uma nova linguagem do Político que em última instância põe em causa a própria democracia, e mesmo que em resultado apenas tenhamos, irónica e ingloriamente, o esvaziamento irremediável dos direitos que o capitalismo possibilitou por via das políticas sociais do Estado.

      Esta reflexão não se aplica a quem faz hoje greve no nosso País, mas precisamente a todos quantos em Portugal e na Europa insistem neste discurso deslegitimador das formas de luta tradicionais, e que do alto da sua suposta maturidade cívica e até intelectual, exasperam perante facto de as suas certezas sobre o nosso caminho não serem afinal unânimes evidências.»

      Acabas de ler a transcrição integral do artigo de opinião publicado ontem, dia 24-11-2011, dia de Greve Geral em Portugal, no jornal português com sede na cidade de Braga “O Correio do Minho”, com o título de “Inversões e perversões na nova linguagem do Político”, subscrito por Isabel Estrada Carvalhais, Professora de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade do Minho, da mesma citada cidade.

      Como forma de solidariedade com a Greve Geral que hoje ocorre em Portugal, este blogue está hoje também em greve.

      Volta amanhã.

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