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Archive for Agosto 2011

I.F.A.

Posted on: 31/08/2011

      Num dia como o de hoje (31 de agosto) do ano de 1968, em Carrara tinha início o congresso constitutivo da Internacional das Federações Anarquistas (IFA).

      Carrara é uma comuna italiana da região da Toscana, província de Massa-Carrara, com cerca de 65 mil habitantes.

      Este congresso correu num clima muito especial (após maio de 1968), por um lado estavam os velhos militantes garantes do ideal libertário e por outro os jovens de maio de 68, como Daniel Cohn-Bendit.

      O congresso terminaria a 5 de setembro depois de estabelecer as bases de uma organização internacional.

      O segundo congresso realizar-se-ia em Paris, em 1971, voltando em 1978 a Carrara.

      A I.F.A. declarava:

      «A negação da autoridade e de todo o tipo de poder é o princípio essencial e o signo distintivo do anarquismo e do movimento anarquista. Os outros princípios libertários resultam daquela negação da autoridade e do poder.»

      E ainda:

      «A I.F.A. proclama, para todos os anarquistas, a liberdade de escolher todos os meios de ação que não estejam em contradição com os princípios libertários e os objetivos perseguidos pelo movimento. Quer seja individualmente, minoritariamente ou em massa, violenta ou pacificamente, de forma reivindicativa ou revolucionária, legal ou clandestina; a ação anarquista deve refletir o alto valor moral dos princípios fundamentais do anarquismo.»

      Mais info em: http://i-f-a.org/

 

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      Num dia como o de hoje (29 de agosto) do ano de 1844 nascia Edward Carpenter, poeta inglês, socialista libertário, antologista e um dos primeiros ativistas políticos homossexuais.

      Foi figura destacada no Reino Unido nos finais do século XIX. Poeta e escritor, foi amigo de Walt Whitman e Rabindranath Tagore, tendo-se correspondido com muitas personalidades famosas como Annie Besant, Isadora Duncan, Havelock Ellis, Roger Fry, Mahatma Gandhi, James Keir Hardie, J K Kinney, Jack London, George Merrill, Edmund Dene Morel, William Morris, Edward R. Pease, John Ruskin e Olive Schreiner.

      Como filósofo foi especialmente conhecido pela publicação de “Civilisation, its Cause and Cure” (Civilização, a sua Causa e Cura), em que defende que a civilização é uma forma de doença que as sociedades humanas atravessam. As civilizações, segundo Carpenter, raramente sobrevivem mais do que mil anos, antes de se desmoronarem, e nenhuma sociedade conseguiu ultrapassar com sucesso uma civilização. A “cura” é uma aproximação mais forte à terra e um maior desenvolvimento da nossa natureza interna.

      Embora Carpenter se tenha inspirado na sua experiência com o misticismo hindu, e se refira a um “socialismo mítico”, o seu pensamento está alinhado com o de diversos escritores nos campos da psicologia e sociologia do princípio do século XX, como Boris Sidis, Sigmund Freud e Wilfred Trotter, que reconheciam que a sociedade coloca cada vez mais pressão nos indíviduos o que resulta em doenças mentais e físicas como neurose e neurastenia.

      Convicto defensor da liberdade sexual, Carpenter vivia numa comunidade homossexual perto de Sheffield e teve profunda influência sobre D. H. Lawrence e E. M. Forster.

      Progressivamente atraído por uma vida mais próxima da natureza. Carpenter foi viver para uma quinta em Bradway com o agricultor Albert Fearnehough e a sua família. Foi nessa altura que Carpenter começou a conceber as suas ideias políticas socialistas. Influenciado por John Ruskin, imaginou um futuro de comunismo primitivo, rejeitando rotundamente a revolução industrial da era vitoriana. Na sua comunidade utópica haveria “a ajuda mútua e a combinação de vontades tornar-se-ão espontâneas e instintivas”.

      Carpenter escreveu, numa espécie de cabana de madeira da sua horta, os poemas que constituiriam o seu livro de poesia, “Towards Democracy” (A Caminho da Democracia), que foi fortemente influenciado pela espiritualidade oriental e pela leitura aprofundada dos poemas de Withman.

      Os últimos vinte anos da vida de Carpenter foram preenchidos por um radicalismo político constante, marcado pelo seu envolvimento persistente em temas progressistas, incluindo a proteção ambiental, os direitos dos animais, a liberdade sexual, movimento feminista e o vegetarianismo. Escreveu sobre o horror do sistema capitalista, contra a aristocracia rural e sobre a sua visão do socialismo – uma nova era da democracia, camaradagem, cooperação e liberdade sexual.

      Apoiou Fred Charles, do grupo de Anarquistas de Walsall, em 1892. No ano seguinte tornou-se membro fundador do “Independent Labour Party” (Partido Trabalhista Independente) em conjunto com, entre outros, George Bernard Shaw.

      Um verdadeiro radical da sua época, muito daquilo em que Carpenter acreditava foi rejeitado e mesmo ridicularizado pela Esquerda. Prosseguiu o seu trabalho no início do século XX, produzindo textos sobre a “Homogenic question” (questão homogénica). A publicação em 1902 da sua inovadora antologia de poesia, “Ioläus: An Anthology of Friendship” (Iolaus: uma Antologia da Amizade), foi um enorme sucesso subterrâneo, promovendo o avanço do conhecimento sobre a cultura homoerótica. Em Abril de 1914, Carpenter e o seu amigo Laurence Houseman fundaram a “British Society for the Study of Sex Psychology” (Sociedade Britânica para o Estudo da Psicologia Sexual). De entre os tópicos apresentados em conferências e publicações da Sociedade, destacam-se: a promoção do estudo científico do sexo; a promoção de uma atitude mais racional para com o estudo da conduta sexual e dos problemas e questões relacionados com a psicologia sexual, de um ponto de vista médico, jurídico e sociológico, com o controlo de natalidade, com o aborto, esterilização e doenças venéreas, e com todos os aspectos da prostituição.

      A curiosidade de Carpenter não se limitava ao que os seus detratores chamavam temas políticos menores, mas incluía importantes questões internacionais da época. O seu pacifismo de esquerda tornou-o num dos oponentes ruidosos da Segunda Guerra dos Bôeres e depois da Primeira Guerra Mundial. Em 1919, publicou “The Healing of Nations and the Hidden Sources of Their Strife” (A Cura das Nações e as Fontes Secretas dos seus Conflitos), onde argumentava apaixonadamente que a fonte da guerra e do descontentamento nas sociedades ocidentais era a existência de classes e a desigualdade social. Chamou a esta injustiça social “doença de classe”, onde cada classe apenas atua no seu próprio interesse. Para Carpenter, uma reestruturação social e económica radical era indispensável para acabar com a fragmentação social. Nos seus anos finais comentou que:

      «Apenas posso antever uma saída para o lodaçal em que estamos atolados. O atual sistema comercial terá que desaparecer, e deveremos regressar aos sistemas mais simples de cooperação de épocas passadas. Estou convencido que teremos que regressar a essa condição, ou a outra similar, se queremos que a nossa sociedade sobreviva. Afirmo isto após uma longa e detalhada observação da vida nas suas diferentes fases. Foi isto que os mineiros, de forma subconsciente, já perceberam, pois retiveram nas suas mentes muito da primitiva mentalidade das eras pré-civilizacionais.”

      Mais info em: http://www.edwardcarpenter.net/

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      Num dia como o de hoje (28 de agosto) mas de 1963 (há 48 anos), terminava em Washington (EUA) a grande marcha pela igualdade dos direitos cívicos, com cerca de 200 mil pessoas, onde Martin Luther King profere o seu famoso discurso intitulado: “I Have a Dream” (Eu tenho um sonho).

      «A liberdade nunca é voluntariamente cedida pelo opressor; deve ser exigida pelo oprimido.»

      Martin Luther King (1929-1968)

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A Caveira

Posted on: 27/08/2011

      Num dia como o de hoje mas do ano de 1885, saía na Suiça o primeiro número do jornal “La Tête de Mort” (A Caveira), com o subtítulo de “Journal communiste, anarchiste et révolutionnaire”.

      Este primeiro número é também o único conhecido desta publicação que clamava pela violência e pela luta armada.

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F.O.R.A.

Posted on: 26/08/2011

      Num dia como o de hoje (26 de agosto) do ano de 1905, em Buenos Aires (Argentina) ocorria o quinto congresso da F.O.R.A. (Federación Obrera Regional Argentina), num difícil clima de repressão governamental e policial contra a classe trabalhadora, com a declaração de estado de sítio, prisões, greves e manifestações duramente reprimidas.

      Este congresso aprovou e recomendou a todos os participantes que divulgassem os seus conhecimentos adquiridos, dos princípios económicos e filosóficos do comunismo anarquistas, e os ensinassem aos trabalhadores.

      A F.O.R.A. nasce cerca de 4 anos antes com a designação inicial de F.O.A. (Federación Obrera Argentina) com a participação de 50 delegados trabalhadores, socialistas e anarquistas, representando cerca de trinta associações de trabalhadores da capital argentina e do interior do país. No entanto, no congresso do ano seguinte as divergências de pontos de vista entre socialistas e anarquistas revelaram-se inconciliáveis separando-se, vindo então a corrente anarquista a constituir a F.O.R.A. no seu quinto congresso de 1905, num dia como o de hoje, mantendo a sua visão comunista-anarquista.

      A F.O.R.A. chegou a ter 250 mil membros. Em 1909 dá-se uma nova cisão de acordo com as duas distintas visões nascidas, passando a existir a FORA do 9º congresso (reformista) e a FORA do 5º Congresso (fiel ao ideal libertário).

      Abaixo podes ver uma imagem do 5º congresso e um carimbo da Federação.

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      Num dia como o de hoje (25 de agosto) do ano de 1900, isto é, há 111 anos, morria Friedrich Nietzsche, um dos maiores e controversos filósofos do século XIX.

      Crítico da cultura ocidental, das suas religiões e, consequentemente, da moral judaico-cristã, Nietzsche é, juntamente com Marx e Freud, um dos autores mais controversos na história da filosofia moderna.

      Nietzsche considera o Cristianismo e o Budismo como “as duas religiões da decadência”, embora afirme haver uma grande diferença nessas duas concepções. O budismo para Nietzsche “é cem vezes mais realista que o cristianismo”.

      Até cerca de onze anos antes da sua morte, Nietzsche não cessa de escrever a um ritmo sempre crescente, terminando de forma abrupta em Janeiro de 1889 com uma “crise de loucura” com a qual passou, inicialmente, a considerar-se, alternativamente, figuras míticas: Dionísio e Cristo, expressando-se em bizarras cartas, afundando-se depois num silêncio quase total até à sua morte.

      Após a sua morte, a sua irmã Elizabeth falseou alguns escritos com o propósito de apoiar a causa anti-semita e o nacional socialismo (Nazismo) de Hitler, aproveitando-se este de alguns aspetos e interpretações para a sua ideologia e propaganda nazi, colagem esta que fez com que o cidadão comum viesse a considerar Nietzsche como mais um nazi, rejeitando os seus escritos sem sequer os ponderar. A irmã veio a ser bem tratada pelo regime fascista, morrendo confortavelmente.

      Friedrich Nietzsche quis ser o grande “desmascarador” de todos os preconceitos e ilusões do género humano, aquele que ousa olhar, sem temor, aquilo que se esconde por trás de valores universalmente aceites; por trás das grandes e pequenas verdades melhor assentadas, por trás dos ideais que serviram de base para a civilização e nortearam o rumo dos acontecimentos históricos, designadamente, a moral tradicional, a religião e a política não são para ele nada mais que máscaras que escondem uma realidade inquietante e ameaçadora, cuja visão é difícil de suportar.

      Nietzsche golpeou violentamente essa moral que impede a revolta dos indivíduos inferiores, das classes subalternas e escravas contra a classe superior e aristocrática que, por um lado, pelo influxo dessa mesma moral, sofre de má consciência e cria a ilusão de que mandar é por si mesmo uma forma de obediência. Essa traição ao “mundo da vida” é a moral que reduz a uma ilusão a realidade humana e tende asceticamente a uma fictícia racionalidade pura.

      Com efeito, Nietzsche procurou arrancar e rasgar as mais idolatradas máscaras.

      A vida só se pode conservar e manter-se através de imbricações incessantes entre os seres vivos, através da luta entre vencidos que gostariam de sair vencedores e vencedores que podem a cada instante ser vencidos e por vezes já se consideram como tais. Neste sentido a vida é vontade de poder ou de domínio ou de potência, vontade essa que não conhece pausas, e por isso está sempre criando novas máscaras para se esconder do apelo constante e sempre renovado da vida; pois, para Nietzsche, a vida é tudo e tudo se esvai diante da vida humana. Porém as máscaras, segundo ele, tornam a vida mais suportável, ao mesmo tempo em que a deformam, mortificando-a à base de cicuta e, finalmente, ameaçam destruí-la.

      Não existe via média, segundo Nietzsche, entre aceitação da vida e renúncia. Para salvá-la, é mister arrancar-lhe as máscaras e reconhecê-la tal como é: não para sofrê-la ou aceitá-la com resignação, mas para restituir-lhe o seu ritmo exaltante, o seu merismático júbilo.

      Na sua obra “O Anticristo” afirmava:

      «O cristianismo tomou o partido de tudo o que é fraco, baixo, incapaz, e transformou em um ideal a oposição aos instintos de conservação da vida saudável; e até corrompeu a faculdade daquelas naturezas intelectualmente poderosas, ensinando que os valores superiores do intelecto não passam de pecados, desvios ‘tentações’. O mais lamentável exemplo: a concepção de Pascal, que julgava estar a sua razão corrompida pelo pecado original; estava corrompida sim, mas apenas pelo seu cristianismo!»

      Num dia como o de hoje (24 de agosto) mas do ano de 1898 (há113 anos), nascia no Funchal (ilha da Madeira, Portugal) Francisco Quintal.

      Quintal foi um importante militante e propagandista anarquista e anarco-sindicalista português.

      Filho de uma família burguesa, faz os seus estudos na escola náutica de Lisboa e descobre o anarquismo aos 15 anos, com os escritos de Jean Grave, começando a frequentar as “Juventudes Sindicalistas”.

      A partir de 1921 começa a colaborar com alguns grupos anarquistas, como “Novos Horizontes” ou “Grupo Anarquista Claridade”, vindo a representar a União Anarquista Portuguesa (UAP) no Congresso Anarquista de Alenquer em 18 de março de 1923.

      A U.A.P. lança em 1925 o seu órgão de imprensa, o jornal “O Anarquista”, que Francisco passa a coordenar.

      Em julho de 1927 é de novo delegado da U.A.P. ao congresso de Valencia (Espanha) onde se decide a criação da Federação Anarquista Ibérica.

      A polícia fascista acaba por o considerar o chefe dos anarquistas portugueses e prende-o e deporta-o para Angola, na altura uma colónia portuguesa, até 1929, regressando a Portugal onde milita clandestinamente na F.A.R.P. (Federação Anarquista da Região Portuguesa) e colabora ativamente com as publicações anarquistas da época, como: “O Argonauta”, “A Batalha”, “A Comuna” e outras e dedica-se ainda à tradução, de forma clandestina, de inúmeras obras anarquistas como “Les Syndicats et la Révolution Sociale” de Pierre Besnard.

      Durante os anos da ditadura mantém, juntamente com a militante Miquelina Sardinha, sua companheira, uma atividade política possível, mantendo a sua atividade de capitão da marinha mercante, que lhe proporcionou novos contactos com muitos companheiros de diversos países.

      Com a queda da ditadura (25 de Abril de 1974), funda em Almada, com outros anarquistas, como Adriano Botelho, o Centro de Cultura Libertária e edita o jornal “Voz Anarquista”.

      Veio a falecer de um enfarte, em Lisboa, a 4 de fevereiro de 1987.

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